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Usar pérola no casamento

Usar pérola no casamento dá azar, segundo uma crença comum no Brasil, porque a pérola se pareceria com uma lágrima. Ainda assim, muitas noivas entram na igreja com pérolas no pescoço ou nas orelhas.

O que pode significar

A crença da pérola nasce de uma comparação de formas: redonda, brilhante, nascida dentro de uma concha, ela parece uma lágrima, e daí vem o receio de chorar no casamento. É um raciocínio por semelhança, comum a muitas superstições. Na Turquia, ao contrário, as pérolas enfeitavam o gorro dos bebês para protegê-los do mau-olhado. Para muitas noivas, porém, o colar de pérolas é herança, e usá-lo leva junto a presença de quem o usou antes.

Depende de como você viu

O colar de pérolas da família

Peças herdadas muitas vezes vencem a superstição, porque o valor afetivo pesa mais. Antes do casamento, vale levar o colar ao joalheiro: fios antigos ficam frouxos com o tempo e podem ser refeitos, com nós entre as pérolas.

Pérolas bordadas no vestido ou no véu

Muitos vestidos levam pérolas sintéticas no bordado, e poucas noivas pensam na crença nesse caso. Para quem se preocupa, trocar por cristais ou miçangas é fácil na prova do vestido.

Quando a noiva prefere não arriscar

Há quem deixe as pérolas para outro momento, como o jantar de noivado ou a festa do dia seguinte. A escolha não precisa de justificativa: num dia tão carregado, tirar uma preocupação da lista também é um cuidado.

Por que acontece na natureza

A pérola se forma quando um molusco envolve um corpo estranho ou um pedaço de tecido com camadas de nácar, uma mistura de carbonato de cálcio e de uma proteína chamada conquiolina. Nas pérolas cultivadas, um núcleo é colocado de propósito. Como o carbonato de cálcio do nácar é sensível até a ácidos fracos, é prudente pôr as pérolas por último, depois do perfume e do laquê.

O que dizem as crenças populares

Turquia

Na Turquia, segundo um registro de 1903, todo bebê tinha o gorrinho enfeitado com pérolas para afastar o mau-olhado.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 740. Ver a página

Pernambuco (Brasil)

Em Pernambuco, dizia-se que não se devia tingir de preto o vestido do casamento, para a noiva não morrer.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 120. Ver a página

Boêmia (atual Chéquia)

Na Boêmia, a noiva não devia costurar o próprio vestido de casamento, porque estaria costurando a sua mortalha.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 50. Ver a página

Para refletir

Que peça herdada você usaria num dia importante, mesmo conhecendo a fama que ela carrega?