Chuva no dia do casamento
Chuva no dia do casamento já teve leituras opostas: em Gaia era ventura para os noivos, e Loreto Couto, cronista de Pernambuco no século XVIII, a punha entre os maus presságios.
O que pode significar
Meses de planejamento, a previsão consultada dez vezes, e na hora do sim o céu fecha. É uma das cenas mais universais de qualquer festa ao ar livre: o dia sonhado e o dia real se separam. Em Gaia, chuva na boda trazia ventura; no Pernambuco do século XVIII, era mau presságio. Mais interessante é o que acontece depois. Muitos casais guardam com carinho justamente o que saiu do roteiro: os sapatos enlameados, a dança debaixo da tenda, o fotógrafo correndo com um guarda-chuva. Um dia especial não tem de seguir o roteiro para ser bom. Muitas vezes, ele fica bom porque alguém aceitou que seria outro.
Depende de como você viu
Chuvisco na saída da igreja
Uma chuva fina rende fotos com guarda-chuvas coloridos e convidados correndo, rindo. A mesma chuva que estragaria um piquenique vira cenário.
Temporal na festa ao ar livre
Tenda, plano B e bom humor coletivo resolvem quase tudo. O que não se resolve vira história contada em todo aniversário de casamento.
No casamento de alguém próximo
Os convidados tendem a guardar mais a chuva na memória do que os noivos, que passaram a festa olhando um para o outro. O mesmo dia, visto de lugares diferentes, rende lembranças diferentes.
Por que acontece na natureza
A chuva cai quando as gotículas das nuvens crescem até ficar pesadas demais para se manter no ar. A previsão do tempo informa a chance de chuva para um período e uma região, sem conseguir cravar o minuto exato em que ela vai cair sobre um lugar. Em festas ao ar livre, uma cobertura de reserva é o único plano seguro.
O que dizem as crenças populares
Gaia e Beira Alta (Portugal)
Em Gaia, chuva no dia do casamento era sinal de ventura para os noivos, e na Beira Alta corria o dito “choveu-lhe na boda”.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 224. Ver a página
Pernambuco (século XVIII)
Loreto Couto, escrevendo sobre Pernambuco em meados do século XVIII, incluía o chover na boda entre os maus prognósticos do seu tempo.
Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 111. Ver a página
Para refletir
Que dia importante saiu diferente do planejado e, mesmo assim, ficou na sua memória como um dos bons?