Everyday Omens

Dar perfume de presente ao namorado

Muita gente no Brasil evita dar perfume de presente ao namorado por medo de que o namoro acabe. A crença fica mais interessante quando se pensa no que o perfume significa: escolher o cheiro de outra pessoa.

O que pode significar

Entre todos os presentes possíveis, o perfume tem uma particularidade: ele muda a forma como a pessoa vai ser percebida pelos outros. Por isso as explicações para a crença giram em torno do mesmo medo: que o namorado use o cheiro novo para agradar outra pessoa ou que o amor evapore junto com o frasco. O caso abre uma boa discussão sobre presentes em geral. Há os que dizem “eu conheço você” e os que dizem, sem querer, “eu queria que você fosse diferente”.

Depende de como você viu

Um perfume escolhido por você

Escolher pelo seu gosto é arriscado: perfume reage com a pele e cheira diferente em cada pessoa. Pedir uma amostra antes, ou dar de presente uma visita juntos à perfumaria, tira o peso da escolha e do medo da crença.

No Dia dos Namorados

No Brasil, o 12 de junho enche as vitrines de kits de perfume, e a crença reaparece nas conversas da semana. Quem acredita troca por outro presente; quem não liga dá risada e compra mesmo. Combinar antes evita constrangimento.

Quando ele mesmo pede um perfume

Se o pedido parte dele, a crença perde força para muitos casais: você está atendendo a um gosto, não impondo um. Acompanhar a escolha na loja, sentindo junto como o perfume fica na pele dele, transforma o presente num programa a dois.

Por que acontece na natureza

Um perfume é feito de várias substâncias que evaporam em ritmos diferentes: primeiro as notas leves, depois as de corpo e, por fim, as de fundo. A oleosidade e a hidratação da pele mudam esse ritmo, por isso a mesma fragrância varia de pessoa para pessoa. Depois de um tempo de exposição, o olfato se cansa e deixa de distinguir o cheiro, o que explica por que quem usa o mesmo perfume quase não o sente.

O que dizem as crenças populares

Irlanda

Em certas partes da Irlanda, segundo um registro de 1903, dava muito azar aceitar de um namorado um animal de quatro patas como presente.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 136. Ver a página

Sicília (Itália)

Na Sicília, de acordo com a mesma enciclopédia, era péssimo presságio dar a um noivo ou a uma noiva qualquer coisa em forma de gato.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 135. Ver a página

Para refletir

Que presente você já deu tentando mudar alguém, e qual deu só para mostrar que o conhecia?