Everyday Omens

Elefante de costas para a porta

O elefantinho virado para dentro, de tromba erguida, aparece em muitas estantes e aparadores. Num elefante de verdade, a tromba levantada serve para farejar o vento e captar o cheiro de quem se aproxima.

O que pode significar

Quem segue a tradição deixa o elefantinho virado para o interior, olhando a sala. É uma escolha curiosa de direção: em vez de vigiar quem chega, ele encara quem mora ali. Muita casa passa o dia virada para fora, para o celular, para a rua, para o que os outros vão pensar, e deixa de reparar em quem está no sofá. A posição do elefante levanta uma pergunta de arrumação mais funda: para onde está voltada a atenção da casa? Num elefante de verdade, a tromba erguida é o jeito de cheirar o ar e perceber quem se aproxima. O enfeite junta, sem querer, as duas coisas: olhos para dentro e nariz atento.

Depende de como você viu

De tromba erguida

Elefantes de verdade levantam a tromba como um periscópio para farejar o vento, e também para se comunicar. Nos enfeites, é a posição mais procurada.

Um elefante que veio de viagem

Elefantinhos de cerâmica, madeira ou pedra são presentes comuns de viagem e de lojas de artesanato. Muitas vezes o enfeite guarda mais a memória de quem deu do que qualquer crença.

Uma coleção na estante

Há casas com dezenas deles, de todos os tamanhos, enfileirados. Coleções assim nascem de um presente e crescem porque todo mundo passa a saber o que dar.

Por que acontece na natureza

A tromba é um órgão de olfato muito sensível, e os elefantes a erguem para captar cheiros levados pelo vento. Na Índia e no Sudeste Asiático, o elefante tem lugar importante na religião e na arte, o que ajudou a espalhar estátuas e enfeites do animal pelo mundo.

O que dizem as crenças populares

Árabes e Índia

Segundo Daniels e Stevans, os árabes tinham o elefante por animal de sorte, e na Índia ter um era boa sorte: quem o possuísse teria êxito em tudo o que empreendesse.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 626. Ver a página

Benin (África Ocidental)

A mesma obra registra que o povo de Benin, na África Ocidental, acreditava que dentes de elefante davam sorte a quem os guardasse.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, pp. 626-627. Ver a página

Cochim (Índia)

Teófilo Braga reconta uma história de Garcia da Orta: em Cochim, um elefante guardou na boca a casca de coco que um homem lhe atirara e a devolveu ao reencontrá-lo, origem do dito “ainda trago a casca do coco na queixada”.

Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 350. Ver a página

Para refletir

Para onde anda voltada a atenção da sua casa: para quem mora nela ou para a rua?