Everyday Omens

Achar tesoura na rua

Achar tesoura na rua é encontrar a perda banal de alguém: ela caiu de uma mochila escolar, de uma bolsa de costura ou da caixa de um ambulante. Numa lenda portuguesa, porém, a tesoura era o teste de um encanto.

O que pode significar

Toda costureira tem uma tesoura que ninguém mais pode usar. Com ela não se corta papel, nem fita, nem embalagem, porque, dizem as costureiras, o papel estraga o fio e o tecido passa a desfiar no corte. A tesoura que serve para tudo acaba não servindo bem para nada. Achar uma na calçada, gasta e meio enferrujada, puxa essa ideia: há instrumentos que rendem só quando reservados para uma tarefa. O tempo, a atenção e até o bom humor também rendem mais quando têm destino certo. Quem usa as mesmas forças para a planilha, a briga do vizinho e o jantar chega à noite sem gume para o que realmente importa. Guardar uma parte de si para o que você faz melhor é manter o fio afiado.

Depende de como você viu

Uma tesoura escolar perto do portão

Tesourinhas sem ponta, de plástico colorido, caem de estojos e mochilas na hora da saída. Se ela estava perto de uma escola, deixar na secretaria ou na portaria é o caminho mais curto até o dono.

Uma tesoura grande de costura

Tesouras pesadas, de lâmina longa, são, na maioria, de alfaiates, costureiras ou tapeceiros, e algumas custam caro. Uma loja de aviamentos ou de consertos de roupa da rua pode conhecer quem trabalha com uma assim.

Caída no chão de casa

Uma queda no piso pode entortar a ponta ou desalinhar as lâminas, e uma tesoura desalinhada mastiga o tecido em vez de cortar. Antes de voltar a usar, teste num retalho.

Por que acontece na natureza

Tesouras se perdem fora de casa porque viajam em estojos, mochilas, bolsas de costura e caixas de ferramentas que se abrem com facilidade. O corte depende do encontro preciso das duas lâminas no eixo; quedas, ferrugem e materiais duros desalinham ou gastam o fio, e por isso uma tesoura achada na rua raramente corta bem.

O que dizem as crenças populares

Oliveira de Azeméis (Portugal)

Em Oliveira de Azeméis, segundo nota de Leite de Vasconcellos, contava-se que na noite de São João as “bichas mouras” surgiam em fontes e penedos com uma tesoura nas mãos, perguntando: “qual quereis vós, os meus olhos ou a minha tesoura?”. Quem escolhia os olhos as desencantava e ganhava riquezas.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 95. Ver a página

Para refletir

Que habilidade sua você anda gastando em tarefas que não precisam dela?