Perder um brinco
Perder um brinco quase sempre significa perder só metade do par. O pé que sobrou vai para a caixinha, à espera do outro, e achar um brinco na rua faz pensar justamente em quem ficou com essa metade.
O que pode significar
Quase toda caixinha de joias tem um brinco sozinho. Ele não serve para usar e ninguém tem coragem de jogar fora, porque o outro pode aparecer no bolso de um casaco ou debaixo do sofá. Esse pé guardado diz algo sobre a dificuldade de encerrar o que ficou pela metade: a amizade que esfriou sem briga, o curso interrompido, a mensagem que nunca teve resposta. Às vezes a metade espera anos. Às vezes vira pingente, presente para uma sobrinha, peça de outra coisa. Perder um brinco é uma boa ocasião para abrir a caixinha e ver quantas metades você ainda guarda à espera, e quais já podem ganhar outro destino.
Depende de como você viu
Caiu da orelha sem você perceber
Tarraxas de borboleta afrouxam com o uso e escorregam pelo pino sem nenhum aviso. Ao tirar uma blusa, um cachecol ou o capacete, o brinco vai junto. Trocar as tarraxas gastas por outras de silicone ou de rosca evita a próxima perda.
Achou um brinco no chão
Um brinco achado no ônibus, na academia ou na calçada provavelmente tem dono procurando. Deixá-lo com o motorista ou na recepção, ou avisar no grupo do bairro, dá uma chance real de ele voltar a formar par com o outro.
Era um presente de alguém querido
Quando o brinco perdido foi presente, a perda pesa mais do que o valor. O que estava em jogo era a memória, e ela continua com você, mesmo com a orelha vazia.
Cai sempre o mesmo brinco
Se é sempre o do mesmo lado, pode ser o jeito de dormir, de falar ao telefone ou de pentear o cabelo. Repetição assim aponta para uma causa simples e fácil de achar.
Por que acontece na natureza
Brincos de pino ficam presos por tarraxas que se alargam com o tempo e escorregam com o movimento, o suor e o atrito de roupas e cabelos. Pinos finos também entortam, e o fecho perde a pressão. Por isso a perda acontece muitas vezes ao vestir ou tirar uma peça de roupa, num gesto rápido.
O que dizem as crenças populares
Portugal
Teófilo Braga via no costume português de furar as orelhas das meninas e pendurar nelas brincos de ouro, junto com figas e amuletos no pescoço, uma sobrevivência das antigas proteções contra o mau-olhado.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 29. Ver a página
Albânia
Na Albânia, segundo Daniels e Stevans, a família punha diante da porta uma jarra com água e brincos para quem ia viajar. O viajante levava um brinco na mão e o devolvia aos parentes depois de um bom trecho, sem olhar para trás, e assim ficava protegido de acidentes.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 909. Ver a página
Para refletir
Que metade de algo você ainda guarda, à espera de que a outra parte volte?