Everyday Omens

Sal na porta de casa

Sal grosso na porta de casa é um gesto de proteção muito difundido no Brasil, ligado a tradições religiosas e populares. Encontrá-lo na sua soleira, sem saber quem pôs, assusta mais do que deveria.

O que pode significar

Achar um montinho de sal na própria soleira, sem saber quem pôs, faz a cabeça correr para as piores hipóteses: inveja, provocação, um recado atravessado. Na maioria das vezes, porém, foi um gesto de cuidado, seu, de alguém da casa ou de um vizinho que não sabe onde termina a calçada dele. O susto diz mais sobre o que esperamos dos outros do que sobre o sal. Antes de varrer com raiva, vale perguntar.

Depende de como você viu

Sal grosso posto por alguém da casa

Em muitas famílias, uma linha ou um punhado de sal grosso na entrada é rotina, renovada de tempos em tempos. Se outra pessoa da casa faz isso, perguntar o motivo rende uma boa conversa sobre de onde veio o costume.

Sal na porta do vizinho

Cada casa tem suas práticas, e o sal na porta ao lado diz respeito a quem mora ali. Se ele se espalhar para a sua entrada ou para a área comum, uma conversa simples resolve melhor do que suposições.

Um montinho deixado por alguém que você não conhece

Se ninguém da casa ou da vizinhança assume, varrer e seguir em frente basta. Câmeras do prédio e conversas com o porteiro esclarecem a maioria dos casos, quase todos de explicação banal.

Sal no dia da mudança

Em Gaia, lenha e sal abriam a mudança; em Pernambuco, o sal ia na frente, com o carvão e a farinha. O gesto de inaugurar a casa com ele é antigo e atravessou o oceano.

Por que acontece na natureza

O sal absorve umidade do ar, por isso empedra e fica úmido quando exposto, o que pode ajudar a entender a ideia popular de que ele absorve coisas ruins. Na prática, o sal úmido suja o piso, gruda nos sapatos e pode prejudicar as plantas do canteiro, então vale varrer a soleira depois de algum tempo.

O que dizem as crenças populares

Gaia e Porto (Portugal)

Em Gaia, quando alguém se mudava, a primeira coisa a levar para a casa nova era lenha e sal; uma versão do Porto pedia azeite, pão, vinho, carqueja e carvão.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 252. Ver a página

Pernambuco (Brasil)

Em Pernambuco, Pereira da Costa registrou que se devia fazer a mudança num sábado, mandando em primeiro lugar o sal, o carvão e a farinha, e que jogar sal no fogo fazia ir embora a visita demorada e importuna.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 114. Ver a página

Para refletir

Que gesto de um vizinho você já leu como hostil e depois descobriu que era só costume?