Ter soluço
Ter soluço numa roda de amigos é garantia de conselhos: cada pessoa conhece um truque de família, e nenhum é igual ao do vizinho. Na Boêmia, o soluço era sinal de que alguém pensava em você; na Albânia, de que um amigo falava de você.
Esta página descreve apenas crenças populares. Se a sensação se repetir ou preocupar, procure um médico.
O que pode significar
Basta o primeiro “hic” para a mesa inteira se mobilizar. Cada um tem uma receita aprendida em casa, jurada pela avó, e todas chegam com a mesma pressa de ajudar. Nenhuma tem garantia, e não é isso que importa. O soluço vira um pequeno espelho de como as pessoas demonstram cuidado: com conselho, mesmo sem pedido. O conselho insistente pode cansar; quase sempre, porém, é a forma que alguém encontrou de dizer que está do seu lado. Na Boêmia, quem soluçava perguntava “quem está pensando em mim?”, e é curioso que um incômodo tão bobo tenha virado, em lugares tão distantes, prova de que alguém se lembrava de nós.
Depende de como você viu
No meio de uma reunião
O soluço interrompe a frase no pior momento, e quanto mais se tenta disfarçar, mais alto ele parece. Rir junto com os outros desmonta o constrangimento mais depressa do que qualquer disfarce.
Numa criança pequena
Crianças soluçam com frequência, depois de comer ou de rir muito, e muitas acham graça no próprio barulho, anunciando cada “hic” para a mesa.
Quando os amigos não param de sugerir
Dez sugestões em dois minutos podem irritar. Agradecer e escolher uma só, ou nenhuma, também é resposta. O cuidado está na intenção de quem oferece, não na eficácia do truque.
Por que acontece na natureza
O soluço é uma contração involuntária do diafragma, o músculo que fica abaixo dos pulmões. Logo depois da contração, a passagem entre as cordas vocais se fecha de repente, em cerca de 35 milésimos de segundo, e é isso que produz o som característico.
O que dizem as crenças populares
Boêmia (atual Chéquia)
Na Boêmia, segundo um registro de 1903, o soluço era tido como indício de que alguém querido estava pensando na pessoa, que logo perguntava: “Quem está pensando em mim?”.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 369. Ver a página
Albânia
Um albanês com soluço, segundo a mesma enciclopédia, achava que algum amigo estava falando dele.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 369. Ver a página
Kokand (Ásia Central)
Em Kokand, na Ásia Central, quando alguém soluçava, o amigo presente exclamava “você roubou alguma coisa de mim!”, e depois dessa grosseria os dois teriam boa sorte.
Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. I (1903), vol. I, p. 369. Ver a página
Para refletir
Quando alguém tenta ajudar você com um conselho que você não pediu, o que você consegue ouvir por trás das palavras?