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Plantar na lua certa

Plantar na lua certa é costume registrado em roças de continentes diferentes. Em San Salvador, nas Bahamas, tudo ia para a terra na lua crescente; na Grécia, semear ou enxertar na lua cheia dava azar.

O que pode significar

Quem planta convive com a incerteza: a semente pode não nascer, a chuva pode não vir, a praga pode chegar antes da colheita. Escolher a lua é uma forma de pôr ordem nesse acaso, e por isso o costume se espalhou por tantas roças, com regras que nem sempre combinam. Nas Bahamas, plantava-se tudo na crescente; na Grécia, temia-se a lua cheia; num condado americano, as batatas iam para a terra na lua nova. Em Pernambuco, o segredo estava nas pessoas: era preciso ter boas mãos para um galho pegar. Talvez o maior efeito da lua seja fazer quem planta olhar para o céu, conferir o tempo e esperar o momento, em vez de jogar a semente às pressas.

Depende de como você viu

Na lua crescente

É a fase escolhida no registro de San Salvador, nas Bahamas, que a opunha à minguante. Quem segue essa regra só semeia em parte do mês e às vezes precisa escolher entre a lua certa e a terra úmida.

Evitando a lua cheia

Na Grécia, semear ou enxertar com lua cheia dava azar, conforme a obra de Daniels e Stevans. Era a mesma fase que outras roças nem levavam em conta.

Uma muda que não pegou

Quando um galho plantado não enraíza, as causas mais prováveis são terra seca ou encharcada, sol forte demais e corte malfeito. Um ramo cortado em ângulo, em terra úmida e à meia-sombra, tem mais chance de pegar.

Seguindo um calendário impresso

Almanaques e calendários de plantio com as fases da lua ainda circulam em feiras e casas agrícolas. No mínimo, ajudam a organizar a horta ao longo do mês.

Por que acontece na natureza

A lua move as marés porque sua gravidade puxa grandes massas de água, mas o efeito sobre a água de uma semente ou de uma planta é ínfimo. A luz do luar também é fraca demais para a fotossíntese. O que decide o sucesso de um plantio é sobretudo a umidade do solo, a temperatura, a luminosidade e a qualidade da semente.

O que dizem as crenças populares

San Salvador (Bahamas)

Em San Salvador, nas Índias Ocidentais Britânicas, segundo Daniels e Stevans, milho, feijão, ervilha, mamona e tudo o mais que fosse para o campo devia ser plantado na lua crescente, e nada na minguante.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 889. Ver a página

Grécia

Na Grécia, conforme a mesma obra, dava azar semear ou enxertar com a lua cheia.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 961. Ver a página

EUA (condado de Fayette)

Num condado de Fayette, nos Estados Unidos, um lavrador ensinava que o milho devia ser plantado na lua nova, com a lua no signo da cabeça, para dar espiga, e as batatas também na lua nova, mas com a lua no signo dos pés.

Fonte: Cora Linn Daniels; C. M. Stevans, Encyclopaedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, vol. II (1903), vol. II, p. 888. Ver a página

Pernambuco (Brasil)

Em Pernambuco, segundo Pereira da Costa, para plantar um galho de craveiro ou de qualquer planta e fazê-lo pegar era preciso ter boas mãos.

Fonte: F. A. Pereira da Costa, Folk-lore pernambucano, em Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. LXX, parte II (1908), p. 103. Ver a página

Para refletir

Em que tarefa da sua vida você espera o momento certo, e como sabe quando ele chegou?