Everyday Omens

Ver um arco-íris

Ver um arco-íris exige uma posição precisa: o sol atrás de você e as gotas de chuva à sua frente. No Minho e na Beira Alta, dizia-se que o arco-da-velha descia aos rios para beber a água que depois virava chuva.

O que pode significar

Ninguém vê um arco-íris olhando para o sol. Ele aparece do lado oposto, quando a luz vem de trás de quem olha e encontra a chuva lá na frente. Para enxergá-lo, é preciso ter as costas aquecidas e o rosto voltado para o tempo fechado. O mesmo desenho aparece em certas fases da vida. Atravessar uma dificuldade fica mais fácil quando há algum apoio atrás (uma pessoa, uma reserva, uma casa para voltar) e coragem para olhar a chuva de frente. Sem o sol nas costas, a chuva é só chuva; sem a chuva, o sol não desenha nada. No Minho, contava-se que o arco-da-velha descia aos rios para beber, e as crianças cantavam versos para mandá-lo dormir.

Depende de como você viu

No jato da mangueira

Com o sol perto do horizonte, às suas costas, um jato fino de água forma um arco-íris particular, que pode até parecer um círculo quase completo. É a mesma física das gotas, em escala de quintal.

Da janela do avião

Do alto, um arco-íris pode aparecer como um círculo inteiro, porque não há chão escondendo a metade de baixo. Quem está no solo enxerga só a parte que o horizonte deixa.

Um arco muito nítido, no fim da tarde

Leite de Vasconcellos registrou a expressão “coisas do arco-da-velha”, usada para falar de algo extraordinário. Uma tarde de arco-íris bem nítido merece a expressão, e ele dura pouco: vale parar uns minutos.

Por que acontece na natureza

O arco-íris se forma quando a luz do sol entra nas gotas de chuva, é refratada, reflete-se no fundo da gota e sai separada em cores, com brilho máximo perto de 42 graus da linha que vai do observador à própria sombra. Por isso ele só aparece com o sol atrás de quem olha, e cada pessoa vê o arco formado pelas gotas da sua posição.

O que dizem as crenças populares

Beira Alta, Minho e Vouzela (Portugal)

Na Beira Alta e no Minho contava-se que o arco-da-velha mergulhava nos rios para beber a água que depois caía em forma de chuva. Em Vouzela acrescentava-se que, onde ele pousava, havia uma velha costurando, com um novelo e uma tesoura.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 59. Ver a página

Minho (Portugal)

Para os minhotos, o arco-celeste era sinal de que Deus estava bem conosco; em Guimarães, o arco-da-velha era aviso de chuva, como no ditado “Arco-da-velha, por água espera”.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 59. Ver a página

Minho (Portugal)

Ao avistar o arco-íris, os rapazes do Minho recitavam versos para fazê-lo sumir, como “Arco-da-velha, vai-te deitar, que aí vem a chuva que te pode molhar”.

Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 60. Ver a página

Para refletir

Quem ou o que esquenta as suas costas quando você precisa encarar um dia fechado?