Arruda em casa
Arruda em casa é proteção antiga contra o mal nas tradições portuguesas. A própria planta, porém, pede cuidado: a seiva, em contato com a pele e depois com o sol, pode causar vermelhidão, manchas e bolhas.
O que pode significar
A fama da arruda como guardiã da casa é antiga. O ditado português dizia que, se a mulher soubesse a virtude dela, iria buscá-la de noite, à luz da lua, e o folclorista Leite de Vasconcellos a pôs entre as ervas boas contra o Demônio. Há um detalhe que a fama esconde: a seiva contém substâncias que, na pele, reagem com o sol e provocam queimaduras horas depois. A planta que guarda a casa machuca quem a manipula sem cuidado. A desconfiança também tem dois gumes: evita golpes e cansa quem precisa vigiar a porta o tempo todo.
Depende de como você viu
Podando a arruda num dia de sol
Quem poda ou arranca arruda com as mãos e os braços descobertos e depois fica ao sol pode ter manchas vermelhas e bolhas na pele. Luvas e mangas compridas evitam o problema.
Com flores amarelas miúdas
A arruda dá flores pequenas e amareladas, mas é pelas folhas que todo mundo a reconhece de longe, com aquele aroma acre. Basta roçar na planta para ele subir no ar.
Ao lado do alecrim, no canteiro
Arruda e alecrim aparecem juntos em velhas listas portuguesas de plantas de defesa. No canteiro, a dupla lembra que proteção e perfume nem sempre vêm separados.
Por que acontece na natureza
A arruda (Ruta graveolens) é um subarbusto de folhas fortemente aromáticas e flores pequenas e amareladas, cultivado em jardins de todo o mundo. Ela contém psoralenos, substâncias que, quando a seiva fica na pele e esta é exposta ao sol, podem causar vermelhidão, manchas e bolhas.
O que dizem as crenças populares
Portugal
Teófilo Braga registrou o anexim português sobre a virtude mágica da arruda: “Se a mulher soubesse a virtude da arruda, buscá-la-ia de noite à lua”.
Fonte: Teófilo Braga, O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, vol. II (1885), p. 71. Ver a página
Portugal
Segundo Leite de Vasconcellos, a arruda, o aipo e o alecrim eram tidos em Portugal como bons contra o Demônio.
Fonte: J. Leite de Vasconcellos, Tradições populares de Portugal (1882), p. 124. Ver a página
Para refletir
Que proteção sua, de tanto usar, começou a machucar justamente você?