Everyday Omens

Bater na madeira

Bater na madeira é o gesto de quem acabou de elogiar a própria sorte e receia ter atraído o contrário. A origem do costume é incerta, e muitos o repetem sem acreditar, só por garantia.

O que pode significar

Alguém comenta que o filho nunca ficou doente, que o carro velho nunca deu problema, que o time está invicto, e a mão procura logo uma mesa. Bater na madeira responde a um medo curioso: o de que falar de uma coisa boa para todo mundo ouvir seja desafiar a sorte. Nos relatos reunidos pelo arquivo de folclore da USC, em Los Angeles, há quem diga que não acredita de verdade, mas bate assim mesmo. Uma equipe de corrida na Baixa Califórnia, sem madeira à vista, batia no metal do próprio carro. O gesto diz menos sobre a madeira do que sobre o valor que damos ao que vai bem. Vale reparar no que você protege com batidinhas e silêncio, e no que nunca chega a comemorar abertamente.

Depende de como você viu

Sem madeira à vista

Na falta de mesa, vale quase tudo: a própria cabeça, a coxa, o painel do carro. Um veterano de corridas contou que, em 22 anos de provas na Baixa Califórnia, fazia a equipe inteira bater no tubo de aço do carro, porque ali não havia madeira.

Num passeio, comentando o tempo bom

Uma pessoa criada num rancho em Illinois contou que, quando comenta num passeio a cavalo que o dia está lindo, desvia o animal até uma árvore e bate no tronco antes de seguir, para a chuva não vir.

No carro, a caminho de casa

Numa família de pais imigrantes da Ásia, quando um assunto arriscado surgia no carro, a batida ficava para depois: os pais não esqueciam de bater na madeira assim que chegavam em casa. O gesto adiado deixa ver como ele entrou no dia a dia da família.

Depois de cantar vitória antes do tempo

Prever que o time vai ganhar a série e logo bater na mesa é o exemplo de um estudante de Los Angeles. Para ele, a batida tem de vir logo depois da frase. O placar não muda, mas a torcida ansiosa ganha um gesto para fazer.

Por que acontece na natureza

O gesto não tem efeito sobre os acontecimentos, mas tem efeito sobre quem o faz: depois de elogiar em público algo que vai bem, a pessoa sente que desafiou a sorte, e a batida rápida devolve uma sensação de controle. A origem do costume não é conhecida; explicações como a de espíritos morando nas árvores são hipóteses.

O que dizem as crenças populares

EUA (corridas na Baixa Califórnia)

Um piloto da Califórnia contou ao arquivo de folclore da USC que, em 22 anos de corridas na Baixa Califórnia, fazia toda a equipe bater no tubo de aço do carro quando alguém elogiava o desempenho dele, porque ali não havia madeira.

Fonte: Emerson Taylor (USC Digital Folklore Archive), Knock on Wood (2018), folklore.usc.edu. Ver a página

EUA (Illinois)

Uma pessoa criada num rancho em Barrington, Illinois, contou que, ao comentar num passeio a cavalo que o dia estava lindo, desvia o animal até uma árvore e bate no tronco, para não atrair chuva.

Fonte: Tyler Sinness (USC Digital Folklore Archive), Knock on Wood (2023), folklore.usc.edu. Ver a página

Família asiática (EUA)

Numa família de pais imigrantes da Ásia, nos Estados Unidos, bate-se na madeira sempre que se fala de algo que pode dar errado; se não há madeira à mão, como no carro, os pais batem quando chegam em casa.

Fonte: Amberly Lin (USC Digital Folklore Archive), Knock on Wood (2025), folklore.usc.edu. Ver a página

EUA (Los Angeles)

Um estudante de Los Angeles diz “knock on wood” e bate numa mesa sempre que faz uma previsão otimista, como a vitória do time; sem mesa, bate na coxa ou na cabeça, porque a batida logo depois da frase é o essencial.

Fonte: Reece Kanashiro (USC Digital Folklore Archive), Knock on Wood (2026), folklore.usc.edu. Ver a página

Para refletir

Que coisa boa da sua vida você evita comentar em voz alta, e por quê?